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  • Segue agora o resumo de TODOS os volumes da série History of Middle-Earth retirados do site Valinor. São 12 volumes imperdíveis!


    Lost Tales I

    Quem vê O Silmarillion em sua forma atual talvez não imagine o gigantesco trabalho de transformação e carpintaria literária necessário para que a mitologia dos Dias Antigos tomasse a forma que conhecemos hoje. The Book of Lost Tales I (O Livro dos Contos Perdidos I), o primeiro da série The History of Middle-earth, traz para os leitores as versões mais antigas do universo tolkieniano, algumas datando de 1916.

    As histórias do livro são relatadas a partir do ponto de vista de Eriol, um marinheiro humano que, após muitas viagens pelos Mares Ocidentais, chega a Tol Eressëa, a Ilha Solitária onde vivem os elfos. Lá, Eriol torna-se amigo dos Eldar e se hospeda em Mar Vanwa Tyaliéva, o lar de Lindo e sua esposa Vairë. Os elfos de Eressëa, a pedido de Eriol, começam a contar toda a história de Valinor e das Terras Exteriores (o nome "Terra-média" ainda não havia sido incorporado à mitologia), desde a criação do Mundo.

    Exceto a história da Canção dos Ainur, que essencialmente permaneceu com poucas mudanças até a versão "final" do Silmarillion, quase tudo é diferente do que conhecemos hoje. Ossë e Uinen, por exemplo, são Valar; o conceito dos Maiar ainda não havia sido criado. Os Valar têm filhos: Fionwë Úrion (que depois se tornaria o Maia Eonwë) é filho de Manwë e Varda, assim como Oromë - pasmem! - é filho de Yavanna.

    O próprio Morgoth é um inimigo muito mais malicioso, com um senso de humor insolente e cruel, diferente do Senhor do Escuro posterior. A importância das Silmarils para a narrativa ainda não havia aparecido: Melko (assim mesmo, sem "r") rouba todas as jóias dos Noldoli (os futuros Noldor), entre elas as Silmarils. Aliás, o Fëanor que aparece aqui já é um grande artífice, mas não pertence à casa real dos Noldoli. O único filho do rei Finwë Nólemë é Turondo, o futuro Turgon de Gondolin.

    A linguagem empregada também é muito mais arcaica e solene que a do atual Silmarillion (se é que isso é possível). E as próprias línguas élficas são bem diferentes, até em termos históricos: o quenya aqui já é o alto-élfico, mas a língua que depois se tornaria o sindarin é na verdade o noldorin ou gnômico (de gnomos, nome que designava os Noldor neste estágio da mitologia). A idéia era que os Noldor, durante seu exílio nas Terras Exteriores, teriam sua língua muito modificada em relação ao quenya.

    Fica claro também, para quem lê o Lost Tales, a intenção de Tolkien: criar uma "mitologia para a Inglaterra". Isso aparece tanto na associação dos elfos com os fadas do folclore inglês - Eldamar é também chamada de Faëry ou "Terra das Fadas" - quanto na idéia de que Tol Eressëa, em tempos futuros, se tornaria a Grã-Bretanha. Seja como for, The Book of Lost Tales fornece inúmeras chaves para compreender o desenvolvimento do rico universo criativo de Tolkien.



    Conteúdo do Livro

    Contos - "The Cottage of Lost Play", "The Music of the Ainur", "The Coming of the Valar and the Building of Valinor", "The Chainin of Melko", "The Coming of the Elves and the Making of Kôr", "The Theft of Melko and the Darkening of Valinor", "The Flight of the Noldoli", "The Tale of Sun and Moon", "The Hiding of Valinor" e "Gilfanon´s Tale: The Travail of the Noldoli and the Coming of Mankind"
    Poemas - "You and Me", "Kortirion", "Habannan", "Tinfang Warble", "Over Old Hills", "Kôr", "A Song of Aryador" e "Why the Man in the Moon came down too soon"
    Mapas - "The earlist map" e "The World Ship"
    Escritos datam de 1916 - 1918

    Appendix - Names in the Lost Tales Part I:
    Retirado dos primeiros "lexicons" das línguas Élficas e também inclui palavras em "Qenya" e "Goldogrin or Gnomish". Palavras etimologicamente conectadas são dadas tomando como base nomes importantes que as contém.
    Escritos datam de 1915.

    Lost Tales II

    Em The Book Lost Tales II, Christopher Tolkien termina de apresentar aos leitores a primeira fase do trabalho de seu pai, que foi até o início dos anos 20 e gerou as primeiras versões da mitologia do Silmarillion. Neste segundo livro dos Lost Tales, as histórias avançam para a chegada dos Noldoli ou Gnomos (os futuros Noldor) às Grandes Terras e sua guerra com Melko.

    A primeira história é a de Tinúviel e Beren, e o leitor já é confrontado com o abismo entre a versão de O Silmarillion e a antiga: Beren é um elfo, um dos Noldor, e toda a complicada relação entre Nargothrond e Doriath, envolvendo Celegorm, Curufin e Finrod Felagund, ainda não havia aparecido. Mas o mais impressionante é a figura de Tevildo, o Príncipe dos Gatos, um espirito maligno em forma felina que, nessa versão do mito, desempenha um papel muito semelhante ao que Sauron desempenharia posteriormente.

    A seguir, temos a primeira versão da história de Túrin Turambar, e a história da queda de Gondolin na versão mais completa que chegou a ser escrita por Tolkien. É interessante notar que, nesse estágio, Gondolin havia sido fundada apenas depois da Batalha das Lágrimas Incontáveis, e Tuor não tinha nenhuma relação com a casa de Hador; na verdade, as três casas dos amigos-dos-elfos ainda não tinham sido criadas.

    Outra grande surpresa dos Lost Tales é o papel dos anões na história do Nauglafring (o futuro Nauglamír do Silmarillion). Os anões dessa versão são seres envelhecidos, soturnos e perversos, que se unem a um Noldo da corte de Tinwelint (Thingol) para se apoderar da Silmaril.

    Encerrando os Lost Tales, temos os fragmentos da História de Eärendel (Eärendil) e de Eriol ou Aelfwine, o marinheiro humano que teria escrito os Lost Tales. Mais diferenças fascinantes aparecem: a princípio, a Guerra da Ira havia sido iniciada sem a permissão dos Valar, e Eärendel não tinha o papel de salvador que desempenhou depois na mitologia. E, através da história de Eriol, sentimos qual era o projeto inicial de Tolkien: Tol Eressëa, a Ilha Solitária, teria se aproximado das Terras Mortais e se tornado a ilha de Leithien (a Inglaterra). E a tradição dos elfos teria sido preservada em solo inglês, inspirando a mitologia que Tolkien criaria.



    Conteúdo do Livro

    Contos - "The Tale of Tinúviel", "Turambar and the Foalókë", "The Fall of Gondolin", "The Bauglafring", "The Tale of Eärendel" e "The History of Eriol or AElfwine and the End of the Tales"
    Poemas - "Éala Éarendel Engla Beorhtast", "The Bidding of the Minstrel", "The Shores of Faëry", "The Happy Mariners", "The Town of Dreams and the City of Present Sorrow" e "The Song of Eriol"
    Escritos datam de 1916 - 1920

    Appendix - Names in the Lost Tales Part II:
    Retirado dos primeiros "lexicons" das línguas Élficas e também inclui palavras em "Qenya" e "Goldogrin or Gnomish". Também inclui palavras da "The Namelist to the Fall of Gondolin"
    Escritos datam de 1915


    The Lays of Beleriand

    O leitor que deseja conhecer a fundo as origens da lenda de Númenor e de todas as histórias da Segunda Era da Terra-média terá uma fonte das mais importantes em The Lost Road and other writings (A Estrada Perdida e outros escritos), o quinto livro da série The History of Middle-earth.

    A Estrada Perdida, texto que dá nome ao livro, é uma das obras mais originais de Tolkien, embora infelizmente incompleta. A idéia do livro surgiu das discussões literárias entre Tolkien e seu grande amigo C.S. Lewis, também professor em Oxford. Os dois combinaram que Lewis iria escrever uma história de viagem espacial, enquanto Tolkien escreveria um história de viagem no tempo.

    No fim das contas, apenas Lewis conseguiu terminar e publicar seu livro, com o título Out of the Silent Planet, em 1937. É uma pena que Tolkien não tenha conseguido fazer o mesmo com A Estrada Perdida: a história, cheia de fortes elementos autobiográficos, tem como personagem principal Alboin Errol, um professor universitário com uma paixão pelas línguas do norte da Europa e que, em estranhos sonhos, ouvia fragmentos de idiomas desconhecidos: o eressëano (quenya) e o beleriândico (sindarin). Alboin e seu filho Audoin acabam transportados para Númenor, na pele de Elendil e seu filho Herendil (Isildur e Anárion ainda não haviam surgido), e têm que enfrentar a ameaça de Sauron.

    The Lost Road traz também as mais antigas versões das histórias da Segunda Era, como o relato do surgimento e queda de Númenor e da fundação dos reinos numenoreanos na Terra-média. Para citar apenas uma das diferenças nessas versões antigas, Gil-galad era a princípio descendente de Fëanor!

    Para os interessados na evolução das línguas élficas, The Lost Road encerra dois tesouros. Em primeiro lugar, as Etimologias, uma lista com centenas de raízes élficas primitivas, seus significados e as palavras derivadas delas existentes em quenya, noldorin (o ancestral do sindarin) e outros línguas élficas. Em segundo lugar, o Lhammas ou "Relato das Línguas", em que as características e parentesco das línguas élficas, como eram imaginadas nesse momento (por volta de 1937), eram concebidas.

    Finalmente, The Lost Road também apresenta o Quenta Silmarillion de 1937, novas versões dos Anais de Valinor, Anais de Beleriand e do Ainulindalë, bem como o mapa de Beleriand que serviu de base para os mapas publicados em O Silmarillion.



    Conteúdo do Livro

    The Lay of the Children of Húrin A história de Húrin e seus filhos, em versos aliterativos. Acaba com Túrin chegando em Nargothrond. 1920 - 1925
    Poems early abandoned Poemas breves. Inclui "The Flight of the Noldoli", um fragmento aliterativo de "Lay of Eärendel" e "Lay of the Fall of Gondolin". 1920 - 1925
    The Lay of Leithian História de Beren e Lúthien em cupletos octosilábicos. Termina com Carcharoth engolindo a mão de Beren. 1925 - 1931
    The Lay of Leithian recommenced Reescrita de "The Lay of Leithian", em parte extensivo. Termina no mesmo local. 1949 u 1950, revisado depois de 1955


    The Shaping of Middle-earth



    The Shaping of Middle-earth (A Formação da Terra-média), quarto livro da série The History of Middle-earth, revela aos leitores uma fase fundamental da evolução da mitologia tolkieniana. Com efeito, é nos textos desse livro, escritos em geral no decorrer dos anos 30, que o ciclo de lendas que hoje conhecemos como parte de O Silmarillion assumiu, em linhas gerais, a forma atual.

    Um dos primeiros textos a ser apresentado é o chamado "Rascunho da mitologia", um esboço feito por Tolkien de seu projeto para transformar e completar as histórias dos Lost Tales. Baseando-se nesse esboço, Tolkien escreveu, em 1930, o Quenta Noldorinwa ou "A História dos Noldoli", a única versão das lendas dos Dias Antigos que chegou a ser efetivamente completada. Para se ter uma idéia, a versão da queda de Gondolin publicada em O Silmarillion foi fortemente baseada no relato do Quenta Noldorinwa.

    Ao mesmo tempo, é nessa versão que povos e personagens importantes ganham um caráter mais definido, e outros fazem sua primeira aparição, como a Casa de Haleth (que era chamado de Haleth, o Caçador - pasmem, Haleth era um homem!). O Quenta Noldorinwa se encerra com a misteriosa Segunda Profecia de Mandos, na qual é pressagiado o Final dos Tempos.

    Outros textos muito interessantes também integram The Shaping of Middle-earth: um dos melhores é o Ambarkanta ou "A Forma do Mundo", uma bela descrição cosmológica que mostra como Tolkien concebia a estrutura de seu mundo nesse momento.

    Muito interessantes são também os Anais de Valinor e os Anais de Beleriand, que dão uma estrutura cronológica aos acontecimentos do Quenta. Um fato curioso é que, nesse estágio da mitologia, Tolkien havia definido um período muito curto, de cerca de 200 anos, entre a chegada dos Noldoli (Noldor) e o fim do Cerco de Angband. The Shaping of Middle-earth contém também o primeiro mapa detalhado de Beleriand desenhado por Tolkien.



    Conteúdo do Livro

    Prose fragments following the Lost Tales Três breves textos sobre Tuor e Gondolin e sobre a partida dos Noldor de Aman e sua chegada na Terra-média. 1920
    The Earliest 'Silmarillion' (The 'Sketch of the Mitology') Uma sinopse breve e condensada da mitologia escrita para acompanhar "The Lay of the Children of Húrin". 1926
    The Quenta [Noldorinwa] Um versão retrabalhada e expandida do "Sketch". Inclui o poema "The Horns of Ylmir". Também inclui "AElfwine's translation of the Quenta into Old English". c. 1930
    The First 'Silmarillion' Map Mapa de trabalho por muitos anos, foi muito trabalhado e alterado. 1926
    The Ambarkanta Um pequeno tratado sobre a forma do munedo, acompanhado de mapsa. Meados dos anos 1930.
    The Earliest Annals of Valinor Anais dos eventos de Valinor e outro local do começo das coisas até a chegada dos Noldor na Terra-média. Inclui "AElfwine's translation of the Annals of Valinor into Old English". 1930
    The Earliest Annals of Beleriand Anais dos eventos de Beleriand desde o surgimento do Sol e da Lua até a grande batalha contra Morgoth. Inclui "AElfwine's translation of the Annals of Beleriand into Old English". 1930


    The Lost Road



    O leitor que deseja conhecer a fundo as origens da lenda de Númenor e de todas as histórias da Segunda Era da Terra-média terá uma fonte das mais importantes em The Lost Road and other writings (A Estrada Perdida e outros escritos), o quinto livro da série The History of Middle-earth.

    A Estrada Perdida, texto que dá nome ao livro, é uma das obras mais originais de Tolkien, embora infelizmente incompleta. A idéia do livro surgiu das discussões literárias entre Tolkien e seu grande amigo C.S. Lewis, também professor em Oxford. Os dois combinaram que Lewis iria escrever uma história de viagem espacial, enquanto Tolkien escreveria um história de viagem no tempo.

    No fim das contas, apenas Lewis conseguiu terminar e publicar seu livro, com o título Out of the Silent Planet, em 1937. É uma pena que Tolkien não tenha conseguido fazer o mesmo com A Estrada Perdida: a história, cheia de fortes elementos autobiográficos, tem como personagem principal Alboin Errol, um professor universitário com uma paixão pelas línguas do norte da Europa e que, em estranhos sonhos, ouvia fragmentos de idiomas desconhecidos: o eressëano (quenya) e o beleriândico (sindarin). Alboin e seu filho Audoin acabam transportados para Númenor, na pele de Elendil e seu filho Herendil (Isildur e Anárion ainda não haviam surgido), e têm que enfrentar a ameaça de Sauron.

    The Lost Road traz também as mais antigas versões das histórias da Segunda Era, como o relato do surgimento e queda de Númenor e da fundação dos reinos numenoreanos na Terra-média. Para citar apenas uma das diferenças nessas versões antigas, Gil-galad era a princípio descendente de Fëanor!

    Para os interessados na evolução das línguas élficas, The Lost Road encerra dois tesouros. Em primeiro lugar, as Etimologias, uma lista com centenas de raízes élficas primitivas, seus significados e as palavras derivadas delas existentes em quenya, noldorin (o ancestral do sindarin) e outros línguas élficas. Em segundo lugar, o Lhammas ou "Relato das Línguas", em que as características e parentesco das línguas élficas, como eram imaginadas nesse momento (por volta de 1937), eram concebidas.

    Finalmente, The Lost Road também apresenta o Quenta Silmarillion de 1937, novas versões dos Anais de Valinor, Anais de Beleriand e do Ainulindalë, bem como o mapa de Beleriand que serviu de base para os mapas publicados em O Silmarillion.



    Conteúdo do Livro

    The Fall of Númenor O início do conto de Númenor em várias versões. 1936 - 1937
    The Lost Road Um novela 'viagem no tempo' com capítulos sobre Númenor, Scyld e AElfwine. Fragmentado e nunca concluído. Poemas incluem "Ilu Ilúvatar", "King Sheave", "The Nameless Land" e "The Song of Aelfwine". 1936 - 1937
    The Later Annals of Valinor Anais de Valinor e outro local desde o início das coisas até o nascimento do Sol. Não muda muito de "The Earliest Annals of Valinor". Meados/final de 1930
    The Later Annals of Beleriand Anais dos eventos em Beleriand até a Grande Batalha e a destruição de Beleriand. Muito mais completo e terminado que "The Earliest Annals of Beleriand". Meados/final de 1930
    Ainulindalë O mito cosmológico. Segue o "The Lost Tales", mas foi completamente reescrito. Meados/final de 1930
    The Lhammas Um texto sobre as línguas Élficas (e algumas outras) e seus inter-ralacionamentos.
    Quenta Silmarillion Termina com Turin virando um fora-da-lei, mas inclui o final da chegada de Eärendel em Valinor e a Grande Batalha. Depois deste foi escrito o "History of the Elder Days" que permaneceu esquecido por muito tempo. Final de 1930, revisado em 1937-1938.
    The Etymologies Um dicionário etimológico do Élfico. Meados de 1930, grandes revisões em 1938
    The Genealogies Árvores genealógicas dos príncipes Élficos e das três casas dos Pais dos Homens e uma tabela de divisões do Quendi. Início de 1930.
    The List of Names Origens e definições dos nomes encontrados no "Annals of Beleriand" e "Genealogies". 1930
    The Second 'Silmarillion' Map Mapa final de Beleriand, no qual o mapa publicado foi baseado. Impresso como originalmente foi desenhado e escrito.

    The Return of the Shadow



    The Return of the Shadow, sexto livro da série The History of Middle-earth, inicia uma nova fase no relato da evolução da mitologia tolkieniana. Até então, Christopher Tolkien havia apresentado os textos de seu pai que lidavam com as lendas dos Dias Antigos e da Segunda Era. Entretanto, como todos sabemos, a elaboração dessas lendas foi interrompida em 1937, quando Tolkien começou a escrever a "seqüência de O Hobbit", tão pedida por seus leitores e editores, e que iria se transformar em O Senhor dos Anéis.

    Assim, The Return of the Shadow (A Volta da Sombra), título que chegou a ser cogitado para o primeiro volume de O Senhor dos Anéis, mostra os primeiros anos da composição da obra-prima de Tolkien, durante os quais o tom grandiloqüente e épico do livro ainda não se havia firmado, e Tolkien lutava para definir o escopo da obra.

    Basta dizer que a própria natureza da missão de Frodo (no início chamado Bingo Baggins, e filho de Bilbo) ainda estava incerta, e Tolkien chegou a cogitar um ataque de dragões no Condado ou até mesmo uma viagem por Mar até o Antigo Oeste como aventuras para os hobbits. Mesmo depois que o anel mágico de Bilbo se tornou o Um Anel do Senhor do Escuro, as coisas ainda estavam longe de se definir. Um exemplo é que toda a história da Última Aliança de Gil-galad e Elendil não aparece a princípio, e é um elfo anônimo que se apodera do Um Anel e acaba morto pelos orcs no Grande Rio.

    Personagens que iriam se tornar importantíssimos quando o livro alcançasse sua versão final aparecem sob as formas mais insuspeitas em The Return of the Shadow. Um exemplo é Trotter (o futuro Strider ou Passolargo), a princípio um hobbit de aparência estranha, rosto moreno e que usava sapatos de madeira! O Fazendeiro Magote é um sujeito intolerante e violento, que quase tinha matado Bingo (Frodo) por invadir sua fazenda, e o próprio Barbárvore é um gigante traiçoeiro e secretamente aliado a Sauron.

    O livro cobre um período que vai mais ou menos de 1937 a 1939, quando a primeira das grandes "paradas" na narrativa aconteceu; nesse momento, a história já havia chegado a Moria e ao túmulo de Balin, mas a Companhia do Anel era formada por SETE membros, dos quais cinco eram hobbits (Bingo, Sam, Merry, Odo, o futuro Pippin, e Trotter) e os demais eram Gandalf e Boromir, então "filho do rei de Ond". O Senhor dos Anéis ainda iria passar por transformações radicais antes de que alcançar sua forma definitiva.

    The Return of the Shadow também inclui reproduções de alguns dos primeiros manuscritos da obra-prima de Tolkien e do primeiro mapa do Condado a ser feito pelo Professor.



    Conteúdo do Livro

    The First Phase O começo do Senhor dos Anéis, até "Em Valfenda". Inclui alguns rascunhos da Estrada entre o Topo dos Ventos e Valfenda. dez 1937 - outuno 1938
    The Second Phase Reescrita de "Uma Festa Há Muito Esperada" até "Tom Bombadil". Outono 1938.
    The Third Phase Primeira aparição de "Sobre os Hobbits" daí vai de "Uma Festa Há Muito Esperada" até a festa em Valfenda. "News uncertainties and New Projects" contém planos, questões e vários fragmentos de textos. Inverno 1938/39 e outono 1939
    The Story Continued Inicia em "Na Casa de Elrond" e segue até "As Minas de Moria". Poemas incluem "Elbereth Gilthoniel" em Élfico. O mais antigo mapa das terras do sul também é incluso. Final de 1939.


    The Treason of Isengard



    No sétimo livro da série "The History of Middle-earth", entitulado "The Treason of Isengard" (A Traição de Isengard), Christopher Tolkien continua seu relato da evolução de "O Senhor dos Anéis", chegando ao fim da narrativa de "A Sociedade do Anel" e aos primeiros capítulos de "As Duas Torres". Como acontece em "The Return of the Shadow", aqui também vemos diferenças surpreendentes entre as primeiras versões dos textos e a versão finalmente publicada por Tolkien.

    É nesse momento (por volta de 1940) que o personagem Saruman e o papel de sua traição finalmente emergem. No Conselho de Elrond, após muitas incertezas a respeito dos membros da Sociedade do Anel, os Nove que conhecemos são finalmente definidos.

    Outro fato curioso é a grande indecisão sobre o nome verdadeiro de Trotter (depois Strider/Passolargo). Embora esse personagem finalmente se transforme num humano, já que antes era concebido como um hobbit, o Professor hesitou muito quanto ao seu nome: Aragorn, Ingold, Tarkil e Elfstone foram cogitados, até a definição de Aragorn.

    Lothlórien e sua rainha Galadriel, elementos fundamentais na estrutura narrativa de "O Senhor dos Anéis", apareciam de forma bastante distinta: basta dizer que Frodo olharia no espelho do rei de Lórien, chamado Galdaran.

    Contudo, talvez a diferença mais chocante dos textos de "The Treason of Isengard" em relação ao texto publicado seja a ausência completa de Arwen e de seus irmãos Elladan e Elrohir. Nessa fase da história, Elrond não possuía filhos, e Aragorn deveria se casar com Éowyn no fim do livro.

    "The Treason of Isengard", além de traçar essa interessante evolução, traz também outros atrativos para o fã de Tolkien: a versão completa do poem
    a de Bilbo sobre Eärendil, nunca publicada, mapas e desenhos feitos pelo próprio Tolkien e um apêndice sobre as runas dos anões.


    The War of The Ring


    Com "The War of the Ring" (A Guerra do Anel), a série History of Middle-earth chega a uma de suas fases mais bem documentadas, num período que abrange basicamente o final da Segunda Guerra Mundial. Christopher Tolkien, então servindo na RAF (Real Força Aérea britânica), recebia de seu preocupado pai cartas constantes, muitas delas acompanhadas de grandes trechos de "O Senhor dos Anéis", que alcançava seus momentos decisivos.

    "The War of the Ring", título que chegou a ser cogitado para o terceiro volume da saga, traz textos que vão da batalha no Abismo de Helm até a chegada dos Capitães do Oeste ao Portão Negro de Mordor. Mesmo tão perto do final da história, a multidão de rascunhos e passagens rejeitadas mostra que Tolkien ainda continuava tateando e experimentando para chegar ao texto ideal.

    Um caso clássico disso é a passagem na qual o palantír de Orthanc aparece pela primeira vez: a princípio, a esfera negra que Gríma lança do alto da torre de Saruman simplesmente se espatifa nos degraus, sem que o autor tivesse qualquer idéia de sua importância para o futuro da história.

    O próprio Faramir, um dos personagens mais conhecidos e amados pelos leitores (ou seria pelas leitoras?), surge como um obscuro capitão gondoriano de nome Falborn, para só posteriormente tomar o lugar de irmão de Boromir. Sobre isso, Tolkien escreve: "Tenho certeza de que não o inventei, nem mesmo o quis na história (embora goste dele), mas lá veio ele caminhando pelos bosques de Ithilien". O encontro inicial de Faramir com Frodo e Sam tem um clima bem mais tenso, com o nobre de Gondor abertamente desconfiado de uma traição contra Boromir.

    A história dos combates decisivos no Pelennor e diante do Portão Negro também é um tanto estranha: para se ter uma idéia, estava inicialmente programado que um exército combinado de Ents e Elfos aparecesse para ajudar as forças de Aragorn no assalto a Mordor.

    O livro conta com as já tradicionais notas de Christopher Tolkien sobre a evolução da história e belos desenhos em preto e branco, feitos pelo próprio Tolkien, de lugares como o Templo da Colina. Minas Tirith e a Toca de Laracna.


    Sauron Defeated

    "Sauron Defeated" ou "Sauron Derrotado", o nono livro da monumental série History, recebeu esse título um tanto genérico meio por falta de opção, admite Christopher Tolkien. É que a obra teve de reunir material um tanto díspar, que vai desde a continuação da história textual de "O Senhor dos Anéis" até um romance (abortado) de viagem no tempo, altamente experimental. A diversidade de temas e estilos mostra que, além de genial, Tolkien podia ser muito versátil, enveredando inclusive pela ficção científica tradicional.

    O início do livro fecha o desenvolvimento de "O Senhor dos Anéis" com as versões preliminares dos capítulos que hoje compõem o Livro VI da Saga do Anel. Alguns detalhes interessantes são a aparição do velho Ghân-buri-Ghân para a coroação de Aragorn e o papel ativo e guerreiro que Frodo, inicialmente, teve durante o Expurgo do Condado.

    Mas emocionante mesmo é o Epílogo do livro (que acabou sendo retirado da edição final) em que Sam, já mais velho e rodeado de seus filhos, conta aos pequenos sobre o destino final dos companheiros da Sociedade do Anel e da visita do rei Elessar ao Condado. Abraçado com Rosinha, Sam contempla o céu estrelado da Terra-média e volta para o aconchego do Bolsão, não sem antes ouvir ao longe o barulho do Mar - um prelúdio de sua partida para as Terras Imortais. Como guloseima para os que se interessam pelas línguas élficas, a Carta do Rei no original sindarin também está disponível.

    O tom muda bastante na segunda parte do livro, voltando-se para a história de Númenor. É quando surgem os "The Notion Club Papers" (As Palestras do Clube Notion), um romance ousado e infelizmente inacabado no qual Tolkien retoma o antigo "The Lost Road": um grupo de eruditos de Oxford, que se reúne durante os anos 80 do século XX (logo, no que era o futuro para Tolkien), discute as possibilidades da viagem espacial e temporal e acaba redescobrindo o mundo perdido da Segunda Era e da ameaça de Sauron sobre Númenor.

    Finalmente, a terceira parte traça a evolução do texto "The Drowning of Anadûnê", uma das principais fontes para o Akallabêth, a Queda de Númenor. Como bônus, temos o início de uma gramática histórica do adûnaico, o idioma numenoreano, feita por um dos membros do Clube Notion - que termina, infelizmente, antes de chegar ao verbo.


    Morgoth´s Ring



    Para quem já mergulhou fundo nos temas da mitologia tolkieniana mas sente falta de ouvir a voz do autor sobre os grandes personagens e acontecimentos de seu universo ficcional, "Morgoth's Ring" (O Anel de Morgoth) é o livro indicado. O décimo livro da série é talvez o mais rico em saborosos ensaios, nos quais o autor amarra a história de Arda numa só visão criativa e analítica.

    "Morgoth's Ring" documenta uma (rara) fase de criatividade sem travas de Tolkien, logo depois que "O Senhor dos Anéis" foi finalmente completado e o velho Professor se sentiu livre para voltar às lendas dos Dias Antigos da Terra-média, abandonadas desde 1937 (doze anos antes, portanto).

    Os textos começam seguindo uma ordem mais ou menos linear, a partir do Ainulindalë, o mito da criação de Arda, e seguindo pela história dos povos élficos até a fatídica rebelião de Fëanor. É nesse momento que "O Silmarillion" que nós conhecemos chega à sua forma quase definitiva (embora volta e meia Christopher Tolkien mostre onde ele precisou mexer para que o texto mantivesse sua coerência interna).

    Dá para ver, por exemplo, que o texto final precisou misturar os Anais de Aman (um relato cronológico da história de Valinor) com o Quenta Silmarillion propriamente dito. É possível depreender o tempo que se passou entre o despertar dos Elfos e a chegada dos Noldor à Terra-média (uma bagatela de uns 4.200 anos), além de conferir algumas guloseimas que ficaram de fora do livro, como o Juramento de Fëanor em verso (acreditem, é um show) ou a bela descrição dos povos élficos:

    "Os Vanyar são os Elfos Abençoados, e os Elfos da Lança, os Elfos do Ar, os amigos dos Deuses, os Elfos Sagrados e Imortais, e os Filhos de Ingwë; eles são o Belo Povo e o Alvo.

    Os Noldor são os Sábios, e os Dourados, os Valentes, os Elfos da Espada, os Elfos da Terra, os Inimigos de Melkor, os de Mão Hábil, os Artífices de Jóias, os Companheiros dos Homens, os Seguidores de Finwë."

    Mas a coisa esquenta mesmo nas partes não-narrativas. Tolkien mergulha nos motivos das tragédias que determinaram a história de Arda e na cultura élfica. Exemplos disso são "Leis e Costumes entre os Eldar" (que pode ser lido aqui na Valinor), relatando a vida élfica do nascimento ao casamento; e "A História de Finwë e Míriel".

    Como cereja do bolo, temos o Athrabeth Finrod ah Andreth (o Diálogo de Finwë e Míriel, também disponível aqui na Valinor). Numa bela e apaixonada discussão filosófica, o rei élfico Finrod e a sábia humana Andreth, o destino final de Elfos e Homens em Arda é esmiuçado, revelando uma surpreendente ligação com a fé de Tolkien.

    E não é só isso, como diriam as Organizações Tabajara: na seção Myths Transformed (Mitos Transformados), Tolkien revê os pressupostos básicos de sua mitologia (como a origem dos orcs e a Terra plana antes da Queda de Númenor) e chega a dizer que - pasmem - eles podem estar errados. Ainda bem que ele resistiu a mais essa revisão de seus textos...


    The War of the Jewels



    "The War of the Jewels" ou "A Guerra das Jóias" se refere, é claro, à terrível contenda entre os Noldor e seus aliados élficos e humanos contra Morgoth, o Inimigo do Mundo, pela posse das Silmarils. O livro continua o esquema iniciado em "Morgoth's Ring" ao mostrar como as lendas dos Dias Antigos foram sendo reelaboradas por Tolkien depois que ele terminou "O Senhor dos Anéis".

    O foco do livro é o período que segue a chegada dos Noldor à Terra-média até o fim da Primeira Era. O Quenta Silmarillion continua, acompanhada pelos chamados Anais Cinzentos. Não há grandes novidades para quem já conhece "O Silmarillion", com a notável exceção de um belo texto que descreve a relação entre o sindarin e o quenya e como os Noldor se adaptaram, na marra, ao novo idioma (no caso, o élfico-cinzento).

    Os grandes atrativos e surpresas do livro vêm depois. O primeiro deles é "The Wanderings of Húrin" (As Andanças de Húrin), que relata parte do que aconteceu ao maior guerreiro humano da Primeira Era depois de ser libertado de Angband. Acredite se quiser, Christopher Tolkien acochambrou em "O Silmarillion": a idéia de Tolkien era que Húrin entrasse em Brethil para vingar a morte de seu filho Túrin, causando uma guerra civil entre os Haladin. Infelizmente, como essa versão estava inacabada, Christopher precisou criar seu próprio final para Húrin.

    Fechando com chave de ouro o livro, temos "Quendi and Eldar", um monumental texto filológico que também traz novas revelações sobre a história élfica.


    The Peoples of Middle-Earth


    Pois é, tudo acaba, até as coisas que parecem inacabáveis - como a série History. Mas tudo bem, o final é em grande estilo. "The Peoples of Middle-earth" (Os Povos da Terra-média), por trás do título assumidamente genérico, traz mais testemunhos memoráveis do gênio criativo tolkieniano - a começar pela contracapa, com a reprodução de um belíssimo manuscrito, iluminado (ou seja, ilustrado) à maneira medieval pelo próprio autor.

    Os textos voltam a "O Senhor dos Anéis", com a relato de como se desenvolveram os Apêndices da saga. Há coisas como a única genealogia conhecida dos príncipes de Dol Amroth (incluindo os filhos de Imrahil) e até uma raridade: o prefácio de "O Senhor dos Anéis" que existia na primeira edição, com um tom muito mais pessoal que o conhecido por nós (sempre reservado, Tolkien achou que devia alterar isso).

    Há também uma série de interessantes ensaios filológicos e históricos. Um deles revela detalhes inéditos sobre a história dos Anões, inclusive os nomes de suas sete casas, além de uma grande aliança entre eles e os antepassados dos Rohirrim durante a Segunda Era. Outro mostra como uma simples desavença sobre a pronúncia das palavras aumentou ainda mais a rixa entre os partidários de Fëanor e os demais Noldor.

    Mas as coisas mais legais são provavelmente dois textos curtos e inacabados, que deixam um terrível gostinho de "quero mais". São "The New Shadow" (A Nova Sombra, disponível na Valinor), com a continuação nunca terminada de "O Senhor dos Anéis", e "Tal-Elmar", com um raríssimo relato da chegada dos numenorianos à Terra-média vista pelos olhos dos Homens Selvagens.